“Camara de Agudos arquivou denúncia. Caso segue na justiça”
Assinado pelo promotor Guilherme Sampaio Sevilha Martins, o documento tem 121 páginas e revela substancial influência do pai do prefeito sobre a administração do filho
Pai do prefeito Fernando Octaviani, o ex-prefeito José Carlos Octaviani atua como espécie de “prefeito informal” de Agudos (13 quilômetros de Bauru), aponta o Ministério Público (MP). A conclusão vem no âmbito de inquérito instaurado no ano passado que apura suposta atuação ilegal de Carlos Octaviani na administração.
O documento, inclusive, embasou pedido de abertura de Comissão Processante (CP) feito pelo vereador Joster Aparecido de Melo contra Fernando. O requerimento, que precisava de sete votos, foi rejeitado na sessão da Câmara desta segunda (5) por oito votos a cinco, sendo os vereadores que votaram contra a investigações: Auro Octaviani, André Otaviani, Dito Loko, Zezinho, Divan, Junior Artioli, Samuel Ferro e Maurício.
O MP diz que “há indícios de consumação de infração político-administrativa perpetrada pelo prefeito Fernando Octaviani”. Neste caso, salienta o relatório, eventuais crimes cometidos pelo mandatário deverão ser investigados pela Procuradoria-Geral de Justiça (PGJ). Já com relação ao pai, o documento aponta que há indícios da prática de usurpação da função pública.
Assinado pelo promotor Guilherme Sampaio Sevilha Martins, o documento tem 121 páginas e revela substancial influência do pai do prefeito sobre a administração do filho. Carlos foi prefeito de Agudos por oito anos, de 2001 a 2008, mas hoje está inelegível por condenações em ações de improbidade administrativa, diz o relatório.
O MP chegou a realizar busca e apreensão na Secretaria de Obras, onde o pai do prefeito atuava segundo as investigações, e encontrou na mesa de Carlos carimbos com o nome do filho. Outros materiais também foram encontrados, a exemplo de ofícios de outros departamentos nos quais havia “Carlão, dá uma olhada”. “A atuação de José Carlos na administração municipal continuou mesmo após a busca e apreensão do Ministério Público, ou seja, mesmo tendo conhecimento da instauração do inquérito civil, ele não cessou os atos que vinha praticando”, diz o documento.
Em nota, o prefeito Fernando Octaviani disse que “vem trabalhando incansavelmente como chefe do Executivo” e que seu pai “possui vasta experiência em administração pública e oferece aconselhamento quando solicitado, visando sempre promover um trabalho de qualidade para a população de Agudos, que o confiou mandatos consecutivos”.
Ele afirma também que, na apuração do MP, “não foi encontrado qualquer indício de desvio de conduta ou ação que desabone sua atuação como prefeito”.
Por André Fleury Moraes | da Redação JC Bauru
Imagens: redes sociais
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