Relator do caso Banco Master comunicou ao colega que levaria à PGR mensagens encontradas no celular de Daniel Vorcaro
A tensão dentro do Supremo Tribunal Federal (STF) aumentou nesta segunda-feira (31) após uma conversa considerada “dura e ríspida” entre os ministros André Mendonça e Alexandre de Moraes, segundo fontes ouvidas pela CNN Brasil. O encontro ocorreu em meio ao avanço das investigações envolvendo o Banco Master e mensagens atribuídas ao banqueiro Daniel Vorcaro.
De acordo com os relatos, Mendonça comunicou a Moraes que encaminharia à Procuradoria-Geral da República (PGR) informações encontradas pela Polícia Federal no material apreendido durante as investigações.
O conteúdo envolve mensagens nas quais Vorcaro teria buscado a ajuda de Moraes para tentar impedir ou retardar medidas contra o Banco Master, incluindo ações da Polícia Federal e da própria Justiça. A PF reuniu os elementos em um relatório de 218 páginas.
PF identificou encontros entre Moraes e Vorcaro
Segundo a investigação, os dados extraídos do celular de Daniel Vorcaro indicam que o banqueiro teria se encontrado presencialmente com Alexandre de Moraes pelo menos seis vezes.
As mensagens analisadas pelos investigadores também apontam que Vorcaro procurava o ministro em momentos de preocupação com o avanço das investigações contra seus negócios.
Entre os pedidos atribuídos ao banqueiro estão solicitações para que Moraes atuasse junto a autoridades da Polícia Federal e da Procuradoria-Geral da República.
A existência das mensagens, contudo, não significa automaticamente que Moraes tenha praticado irregularidade ou interferido nas investigações. O conteúdo ainda precisa ser analisado pelas autoridades competentes, e a apuração deverá esclarecer a natureza das conversas e eventual atuação do ministro.
Mendonça envia informações à PGR
Diante dos elementos reunidos pela Polícia Federal, André Mendonça solicitou manifestação da PGR antes de decidir os próximos passos do caso.
O ministro avalia, inclusive, a possibilidade de incluir Alexandre de Moraes formalmente na investigação relacionada ao Banco Master. A decisão representa um momento incomum dentro do STF, já que envolveria a apuração de um integrante da própria Corte.
A medida também provocou desconforto entre ministros do Supremo, em um momento de forte tensão institucional.
Contratos com escritório da esposa de Moraes entram no caso
Além das mensagens, a investigação examina contratos firmados entre o Banco Master e o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa de Alexandre de Moraes.
Documentos analisados pela Polícia Federal indicam alterações em uma minuta contratual antes da assinatura. O escritório afirma que a participação de Moraes ocorreu no contexto de uma análise de compliance para verificar eventual conflito de interesses.
A investigação também identificou mensagens de Vorcaro relacionadas aos pagamentos ao escritório.
Crise aumenta pressão sobre o Supremo
O episódio coloca o STF diante de uma situação delicada. De um lado, a Polícia Federal reúne elementos sobre a relação entre Vorcaro e autoridades públicas; de outro, ministros da Corte precisam preservar a autonomia da investigação e, ao mesmo tempo, garantir que acusações e suspeitas sejam analisadas com base em provas.
André Mendonça já afirmou que considera necessário discutir mecanismos de governança e regras de conduta para integrantes do Supremo, em defesa da confiança da sociedade na instituição.
A retirada do sigilo de documentos do inquérito deve ampliar o conhecimento público sobre o caso e pode provocar novos desdobramentos políticos e jurídicos.
Até o momento, não há decisão que conclua pela prática de crime por Alexandre de Moraes. As informações divulgadas fazem parte de uma investigação ainda em andamento, e eventuais responsabilidades deverão ser definidas pelas autoridades competentes.
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